Música Scarlett Johansson


Não, você não leu errado. Falarei um pouquinho de um álbum cover intitulado Anywhere I lay my head gravado pela famosa Viúva Negra, ou uma das preferidas de Woody Allen, ou ainda a sexy symbol: Scarlett Johansson.

Não é de se assustar, pois sabemos que os artistas gostam de atirar para todos os lados e ver no que dá! Temos aí uma lista de atores que tiveram seu pezinho num estúdio de gravação, mostrando suas lindas vozes. Inclusive, alguns deles nem voltaram mais para as telinhas (ou raramente mostram as caras em vez das vozes), como o caso da Juliette Lewis.

Scarlett tem um timbre de voz sedutor, isso já sabemos, mas como será ela cantando? Fui conferir e trago um pouquinho da minha opinião para vocês!

Não posso dizer que odiei, mas fiquei muito intrigada! A capa em si, bem como seu interior, passa uma impressão de que a Dorothy (aquela do Mágico de Oz) entrou pelo buraco do coelho branco (é, aquele da Alice)… O que eu posso esperar de algo assim? Psicodelia demais, alternativo demais?

Gravado em 2008, em Louisiana, e produzido pelo guitarrista do TV on the Radio, David Sitek, com músicas de Tom Waits – grande compositor que quebra qualquer convenção musical, passando por vários gêneros musicais – o álbum conta com 10 músicas do compositor e 1 de autoria da própria Johansson!!!

Pelo que percebi lendo um pouquinho sobre Tom Waits, ele é um grande desafio musical, ainda mais para alguém que não é deste meio. Dono de uma discografia indefinível e indescritível e com uma extensa participação no cinema – coincidência nada gratuita. Ou seja, Scarlett fez uma das opções mais difíceis e desafiadoras que poderia, provando que não se trata de oportunismo puro e simples, mas que ela realmente queria desbravar outros meios.

O trabalho de Sitek também fica evidente, com bases e sobreposições efetivas para disfarçar os momentos em que a voz de Johansson não é suficiente, bem como agregando valor em programações bem criadas e releituras cuidadosas dos climas originais. Cada música de Waits é uma história com vida e identidade própria, tanto no aspecto sonoro quanto lírico, e a dobradinha David/Scarlett soube recriar isso muito bem. Inclusive fui ouvir algumas músicas originais e achei que a garota soube lidar muito bem com o estilo musical.

Para minha surpresa, a primeira música do álbum, Fawn, é apenas uma introdução instrumental colocada meio que de propósito, com toque de sadismo, apenas para aumentar nossa expectativa e curiosidade, preparando o terreno, gradativamente, de forma tensa e fúnebre, para o que iremos ouvir.

As músicas do álbum seguem um tom sombrio, um rock alternativo, que podem tranquilamente embalar aquelas noites mais introspectivas dando mais ainda a sensação de vazio. Achei incrível como a voz sensual de Scarlett se transforma no decorrer das faixas. Temos ainda duas faixas (Falling Down e Fannin Street) com uma participação mais que especial. Sim, David Bowie dá o ar da graça com backings mais que monstruosos.


Então, depois de tanta sobriedade, temos uma suposta “canção de ninar” de I Wish I Was In New Orleans. Mas ainda não acaba por aí, logo depois ouvimos a releitura do hit I Don’t Want To Grow Up, que ficou deliciosa na voz de Scarlett. Experimente não ficar arrepiado na parte sussurrada ou não se deixar envolver pelas programações pop propositadamente datadas de fundo. A faixa autoral Song For Jo, também não faz feio, embora eu não tenha gostado muito!

Resumindo, Anywhere I Lay My Head impõe-se como uma obra coesa e corajosa. Apesar de ter havido críticas divididas, considerada por muitos apenas um tiro no escuro, foi elogiada por muitos outros, ganhando inclusive o título de Melhor Álbum de Canções do ano de 2008.

Aliás, após este álbum, Scarlett foi convidada por Pete Yorn para gravar o álbum Break Up (2009) – particularmente gostei muito da música Relator, que inclusive é trilha do comercial do H2OH.

A voz da querida muda tanto enquanto canta que nem percebemos, há mais músicas cantadas por ela, muitos covers foram infelizes, mas outros ficaram muito bons na voz estilosa folk/jazz de Scarlett.

Em 2012, o documentário Chasing Ice foi indicado ao Oscar de melhor canção original – Before my time. Adivinhe quem foi a intérprete???

Embora não seja muito meu estilo musical, eu dou 4 estrelinhas para Scarlett. Parabéns pela audácia!

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