Resenha Kramer vs. Kramer – Avery Corman


A história retrata o início e o término de um amor de pessoas totalmente opostas.

A história de Ted e Joanna parece meio desencontrada, duas pessoas de ares diferentes que se apaixonam, casam e têm um filho.

Ted, um típico nova iorquino, pai de família, sempre ocupado com o trabalho. Joanna, uma mulher de espírito livre que, de repente, se vê mãe e dona de casa. Alguma coisa dizia que talvez essa junção não fosse dar certo.

Certo dia, Ted, cansado do trabalho, chega em casa e se depara com uma Joanna cansada de sua vida tediosa e sem brilho. Então, ela solta a frase que se tornou clichê em vários términos de relacionamentos: “Não é você, sou eu!”

Assim, após 8 anos de vivência, sai da vida de Ted e Billy, filho do casal, deixando-os completamente desconsolados.

No início da leitura, a impressão que tive é de um Ted completamente machista e egoísta, e uma Joanna infeliz, sendo aprisionada nesta vida ingrata. Mas no decorrer da história, os papéis se invertem e a antipatia passa para Joanna.

Após aproximadamente 15 meses, no mesmo momento em que a vida de Ted dá uma reviravolta, Joanna retorna a Nova Iorque pedindo a guarda de Billy. Uma briga judicial tem início, interrompendo a rotina saudável que Ted conseguiu construir entre o trabalho e seu filho, algo que para ele foi muito difícil estabelecer, já que toda a responsabilidade de cuidar da criança era só de Joanna.

O livro foi escrito por Avery Corman em 1977, e roteirizado para o cinema em 1979.

O filme traz, além de uma boa direção e roteiro, por Robert Benton, um elenco de peso com Dustin Hoffman em uma atuação brilhante, e uma jovem Meryl Streep, como sempre linda e talentosa, mostrando apenas com um olhar toda a melancolia de Joanna e a sua vida fracassada. E entre a história desses adultos, temos o jovem Justin Henry, indicado ao Oscar como melhor ator coadjuvante.

Kramer vs. Kramer é atemporal, que nos faz refletir sobre a família e sobre nossa vida. A cada página virada, somos chacoalhados para algumas realidades da vida com esse drama: a vida nem sempre é como gostaríamos que fosse, mas devemos nos adaptar e mostrar quão fortes somos.

A obra em si foi recebida com muita comoção, pois retratou a inversão de papéis – pai assumindo as tarefas diárias de casa, o que até então eram apenas “coisas de mulheres” –, algo tão pouco usual na década de 1970. Além disso, tratou o assunto com grande veracidade de fatos.

O filme foi muito bem recebido pelo público, trazendo detalhes e ângulos de câmera, um “olhar” por vezes sofrido, por vezes curioso da trama.

Com cortes de cena na medida certa, uma das cenas que chama atenção foi a corrida de Ted para o hospital após um acidente de Billy, onde a câmera o acompanha sem nenhum corte, levando o telespectador com ele, compartilhando a sua angústia e dor.

Sem falar na cena final, encerrando maneira simbólica, deixando o telespectador a ser levado pela imaginação ao pensar “E agora, o que acontecerá?”

Trailer legendado
Curiosidades
  • O papel de Ted era para ter sido de Al Pacino, assim como Joanna seria interpretada pela veterana Jane Fonda. E antes mesmo de Meryl ser escolhida, o papel também passou pelas mãos de Kate Jackson, mas não pode aceitar por causa de seu papel em “As Panteras”.
  • Dustin Hoffman quase não aceitou o papel, por ter passado por um difícil divórcio na mesma época.
  • Meryl Streep era tão desconhecida na época que a imprensa nem sabia escrever seu nome.
  • A cena em que Billy desafia seu pai, fugindo do jantar e rouba o sorvete, foi totalmente improvisada, mas pelo diretor ter gostado muito, manteve no filme.
  • E por fim, o que mais causou espanto na plateia foi o filme não ter tido um desfecho comum, deixando o final em aberto.
Premiações
  • O filme teve 9 indicações ao Oscar, ganhando 5: melhor filme, melhor diretor, melhor ator (Dustin Hoffan), melhor atriz coadjuvante (Meryl Streep) e melhor roteiro adaptado.
  •  Venceu 4 categorias do Globo de Ouro, em 1980.
  • Recebeu 6 indicações no BAFTA (1981).
  • Indicado a melhor filme estrangeiro no Prêmio César (1981).
  • No Prêmio David di Donatello (1980), venceu nas categorias de melhor filme estrangeiro e melhor ator, o garoto Justin Henry recebeu ainda um prêmio especial.
  • Em 1979, o New York Film Critics Circle Awards premiou o filme nas categorias de melhor filme, melhor ator e melhor atriz coadjuvante.

Nota: 4 torrões de açúcar

Ficha técnica do livro:
Título original:
Kramer vs. Kramer
Autor(a): Avery Corman
Páginas:258
Editora: Barricade Books
Ano: 2014

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